terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Metamorfoses



Imagem : Fabiana Guimarães



Quando pássaro,
voo além...
horizontes, montanhas, florestas.
Só não voo sobre o mar,
grande mar azul ...
medo de falta de ar,
medo de desvoar,
cair, mergulhar, indefinidamente,
no profundo sem fim.








Quando borboleta,
Imagem: Fabiana Guimarães
voo zen,
vespertina, azul,
rompendo o outro azul
que é o céu.
Pairo  sobre os bosques e jardins.
Visito flores, árvores ,
colorindo junto com elas
as paisagens.
Não voo sobre o mar,
não  de  medo,
pois minhas asas leves e frágeis
não alcançam
a distância oceânica.







Imagem : Pavel  Rubinskiy (1999)

Quando menino,
também  voo.
Deslizo  no ar 
feito  vento,
por rotas  e caminhos
de novidades.
Ando ágil, serelepe,
olhar encantado
de sonhos  incontáveis,
moleque de aventuras ,
num mundo distante
repleto de seres amáveis.
Menino errante ,
brinco no mar,
ponho-me livre a navegar. 
         



Quando homem,
não voo, nem me encanto.
Tudo  é realidade emergindo
num viver  de compromissos.
Passa-se o tempo veloz,
e tenho pressa.
Repentinamente ,
num momento
ou noutro
a vida insinuando
conflitos.
Necessário  lutar, convencer.
conquistar os dias.


Contudo,
quando homem, sozinho,
impotente e frágil,
convoco o pássaro,
a borboleta e o menino
e juntos vamos,
todos num só.
Tudo se recompõe
como numa mágica,
um encantamento  cujo brilho
inextinguível
fortalece-me, energiza-me,
faz-me ser
leveza e paz.

                               Aureliano


5 comentários:

  1. Linda poesia! Voei nos teus versos. Um abraço.

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  2. O mar é a personificação dos medos e das limitações, porém quando emergimos desse mar através da lucidez, tudo se funde em um horizonte de infindas possibilidades.
    Abçs, caro poeta!

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  3. Maravilha de poesia, não há como não saber voar através dela.

    Abraços
    Adri

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  4. Bom dia, querido amigo Aureliano.

    Nossa...
    Que lindo!!
    Metamorfose leve...

    (Achei interessante o seu comentário, porque a minha sobrinha estava passando por longos momentos de angústia, pelo fato da mãe dela ficar meses, trabalhando em outro estado).

    Muitas bênçãos.

    Beijos.

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  5. Boa noite amigo Aureliano, linda poesia, leve e cheia de magia, como o voo dos pássaros e das borboletas, seria tão bom se os nossos caminhos, fossem assim tão simples como o bater de asas. bjnhos.

    P.S.: O seu blog ficou muito bonito com o esse novo background, criação da nossa amiga Nilse, adorei!

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